08 fevereiro 2012

Retalhos

Cheguei a escrever um livro sobre a minha vida. Como tantos outros que há por aí. 
Talvez a inocência da juventude não me fizesse perceber que, na verdade, não o queria fazer. Não queria a minha vida nas bocas do mundo. Pelo menos não daquela maneira. 
O tutor leu e releu. Disse que estava profundo e se calhar demasiado realista. O título era casual, nada de especial. Surgira naquela altura, tenra idade, e esse mesmo ficou. "Retalhos de uma tenra vida", sugeriu o tutor. E tinha razão, não eram mais do que isso. 

Estórias demasiado verdadeiras para serem contadas. Vivências, sentimentos e recordações que queria deixar para trás, mas não conseguia. E não consigo. 
Guardo-o com carinho. Persiste aqui, no seu canto, como um diário. Talvez um dia volte a pegar nele, não para o publicar, mas para o reler. Não desejo reviver o passado, mas não o posso esquecer. Se assim é, que sirva para evoluir. 
Um dia vou poder dizer: tudo isto teve uma razão. 


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