Hoje a plateia foi diferente. Pessoas mais velhas, com outros conhecimentos. Os comportamentos diferem. Uns são mais recatados, outros muito alegres com a fase da vida que estão a viver. Agradecem os cuidados, os passeios, os lanches e até as conversas de conveniência.
Atentam no que digo. Alguns acham curioso o que vou dizendo, enquanto outros apenas apreciam o ambiente e as caras desconhecidas que os rodeiam.
São tímidos nas respostas. Sinto que, mais do que as crianças, têm medo de errar. Não percebo porquê. Na verdade, ali são eles os que mais têm para ensinar. Não eu.
Às vezes gostaria de ter a oportunidade de ficar ali a ouvir as estórias que têm para contar. São imensas, tenho a certeza.
Orgulham-se de toda a "genica" que ainda trazem em si e exibem as suas qualidades. "Já escrevi mais de 1000 poemas desde que estou neste Centro, menina!", "Comecei a pintar desde que me levaram para esta instituição e agora até já vendo algumas obras em feiras de artesanato", "O nosso Coro faz, e já fez, muitas actuações pelo país", "Menina, sabia que estamos a preparar uma peça de teatro para o Natal?"...contam, felizes.
O resultado final agrada-os. Ficam contentes, e eu, muito orgulhosa. Quero que levem dali mais do que uma recordação, um momento de convívio e alguma aprendizagem.
Quem me dera que um dia seja eu daquele lado, a aprender com os mais novos e a gracejar os momentos felizes que ainda me entretêm. Porque cada momento é único e é preciso vivê-lo intensamente.
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