28 fevereiro 2012

O novo acordo que já é de 1990

Um dia destes vou ter mesmo que ado(p)tar o novo acordo. Não que a vontade o dite, mas porque as circunstâncias o exigem. No local de trabalho este modelo já foi ado(p)tado em Fevereiro, na Faculdade está em vigor desde o início do ano le(c)tivo e a pouco e pouco começamos a ver a sua plena integração na sociedade.
Não gosto deste novo acordo ortográfico. Sim, também é por preguiça, pela falta de vontade de me adaptar a esta mudança. Mas, sobretudo, é pela identidade que a nossa língua portuguesa sempre teve lá fora e que agora parecem querer "globalizar, universalizar".
Além do mais, este acordo parece ser aquilo a que chamamos "o menino d'oiro" da classe política. É implementado apenas com o intuito da internacionalização e uniformização da língua, ou seja, "trata-se (apenas) de um instrumento político para servir a estratégia ideológica da lusofonia". Mas que, na verdade, nem isso conseguirá fazer, uma vez que a discussão sobre a dupla grafia e a facultatividade de escrita de algumas palavras mediante a oscilação da pronúncia tem provocado várias críticas a este acordo. Já para não falar da incoerência nas regras de hifenização...
Entretanto, no programa Política Mesmo da TVI24, o secretário de Estado da Cultura admite que poderá alterar o acordo ortográfico nos próximos três anos: "Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer", afirmou.  
Assim o espero.  

Ler o artigo "O impossível acordo" de António Guerreiro, publicado no jornal Expresso no passado dia 25 de fevereiro e que deu origem a este post. Disponível aqui. 
 

Concerto ao vivo no Facebook

Hoje, a banda brasileira Aliados vai dar um concerto ao vivo através da sua página oficial de fãs no Facebook. O concerto terá início às 21 horas no Brasil, ou seja, à meia-noite em Portugal. Segundo o que consta nos media, esta é uma acção inovadora na área musical e pretende ser muito mais do que um simples concerto de Rock and Roll online. Este será um programa mensal de uma hora, totalmente orientado e dinamizado pelos elementos da banda que pretendem, sobretudo, muita interacção com os fãs através das várias redes sociais em que estão presentes.  

A banda vai receber em todos os programas um convidado especial a quem os fãs poderão fazer perguntas e/ou pedidos especiais. Para esta 1ª emissão em directo, a banda convidou "Pauê, triatleta e surfista biamputado, um grande exemplo de superação."

A banda cresceu a olhos vistos na Internet através do seu canal do Youtube onde tiveram uma média de 2 milhões de visualizações e é através da internet que pretendem continuar a "dar cartas" no panorama musical, apostando em força nas redes sociais.  

Mais uma grande iniciativa que permite usufruir ao máximo das redes sociais e da interactividade que estas proporcionam.
PS. Até ao momento não conhecia a banda, mas só por esta iniciativa já merece um destaque no meu blog.  :)

Para mais informações sobre a banda: www.aliadosoficial.com.br/presskit
Para ver o programa em directo: www.facebook.com/aliadosoficial
O evento: https://www.facebook.com/events/237015963057403/

27 fevereiro 2012

Facebook Studio Awards: resultados divulgados hoje

Ao que parece o Facebook decidiu premiar as melhores campanhas de marketing de 2011 baseadas nas redes sociais, nomeadamente no Facebook. Facebook Studio Awards, é assim que se chama o projecto que premiou hoje, pela primeira vez, 11 campanhas com as categorias Azul, Prata, Bronze e Ouro.

As campanhas premiadas são da autoria de dez agências criativas, oriundas de sete países diferentes. Os critérios de avaliação do júri tinham em conta o usufruto de todas as potencialidades da plataforma Facebook, o impacto social da campanha, a interacção com os públicos-alvo, a integração com outros media e a facilidade de partilha e divulgação.

Segundo o que se pode ler na página oficial deste projecto, o objectivo do Facebook Studio Awards é "(...) to recognize the ways the marketing community is using Facebook to unlock business potential. So we created Facebook Studio, a place to celebrate the agencies and marketers that are driving business growth through real connections and authentic conversations made possible with Facebook."
 

Categoria Azul:
American Express

Categoria Ouro:
Flair
KIASMA Museum of Contemporary Art
Wrigley
Social Democratic Party of Switzerland

Categoria Prata:
Health insurance company Dovera
Intel 

Categoria Bronze:
Nike
Commonwealth Bank 
Wrigley

Mais informações sobre as campanhas premiadas aqui. 



26 fevereiro 2012

Gold Magic: um filme em 3D sobre criativos

Vi no blog do jornalista e colunista Adonis Alonso e não resisti em partilhar também!

Este vídeo produzido em animação 3D pela PRODIGO FILMS para o Clube de Criação de São Paulo, pretende mostrar como os criativos dão tudo por tudo para conseguir atingir os objectivos...às vezes até demais.


25 fevereiro 2012

Marketing Olfativo

Cada vez mais se comprova a importância do ambiente físico no Marketing de Serviços como forma de incentivar a compra e proporcionar uma melhor experiência ao cliente. 
Agora, para além da decoração, da luminosidade e dos sons, fala-se também em marketing olfativo! Veja aqui a reportagem da TVI que passou hoje no Jornal das 8 sobre este assunto.

24 fevereiro 2012

Ok, falemos de Marketing Viral!

Coincidência ou não, depois de ler a notícia do jornal económico digital Dinheiro Vivo sobre um estudo realizado por Thales Teixeira, professor de Marketing em Harvard, que avalia os conteúdos que são ou não virais na internet, li também no mesmo dia a opinião de David Meerman Scott sobre este assunto (marketing viral) no seu livro "As novas regras de Marketing e Relações Públicas" (versão portuguesa).

Obviamente as opiniões não divergem do essencial: o conteúdo que se torna viral é simplesmente a melhor ferramenta que qualquer empresa pode ter, uma vez que a mensagem se espalha por milhares de indivíduos sem que haja um grande esforço por parte da entidade que lançou a mensagem original.

Na verdade, isto é o que todas as empresas anseiam que aconteça com as suas campanhas publicitárias, concursos, passatempos, vídeos ou qualquer suporte de comunicação que utilizam. Mas isso não está nas suas mãos, pelo menos não a 100%.

Conforme lemos na notícia do Dinheiro Vivo, conteúdo viral significa (quase sempre) termos os nossos clientes a trabalhar para nós. E isso, convenhamos, é a cereja no topo do bolo. 
Se conseguirmos criar um conteúdo/informação que capte a atenção do nosso público e, melhor do que isso, o incentive a partilhar e divulgar essa informação pela sua rede de contactos, vamos ter com toda a certeza um fenómeno de marketing viral. 

No entanto, e apesar de isto parecer uma estratégia óptima para o negócio, não é assim tão fácil conseguir este tipo de "propaganda" gratuita, uma vez que estamos dependentes da reacção do público-alvo à nossa mensagem.
Apresento aqui de forma sucinta os principais pontos destacados no artigo do Dinheiro Vivo que explicam que tipo de conteúdos podem captar a atenção necessária do público:
1. Quanto menos aparecer o seu logótipo melhor.
Veja este vídeo e comprove: se a marca não aparecesse, o vídeo continuaria a ter a mesma piada?

2. As pessoas devem ser agarradas nos primeiros segundos com emoções fortes e logo a seguir serem provocadas alterações de humor.
Veja este vídeo como exemplo.

3. Surpreender o espectador, mas não chocar.
Há temas que não deve usar como elo para captar a atenção do seu público por serem demasiado chocantes ou ainda serem tabú entre a sociedade. Veja este exemplo.


O caso da Coca Cola Diet e dos Mentos:
"O desafio dos profissionais de Marketing passa por dominar o imenso poder do fenómeno viral." (SCOTT, D.)
No seu livro, David Scott dá o exemplo da Coca Cola Diet e dos Mentos, uma mistura literalmente explosiva descoberta, em 2006, por Fritz Grobe e Stephen Voltz. O vídeo publicado no site destes "cientistas" logo se tornou viral e o departamento de marketing da Mentos rapidamente tomou medidas para aproveitar este sucesso. Para além de terem apoiado em pleno estes "cientistas", os Marketeers da Mentos criaram um concurso de vídeos relacionados com esta experiência e colocaram uma hiperligação directa do site de Grobe e Voltz no site oficial da marca. 
David Scott destaca a importância de "aproveitar o fenómeno viral sem se intrometer demasiado no processo". É essencial que não haja uma tentativa de controlo total por parte da empresa de um fenómeno que depende (quase) exclusivamente das reacções do seu público-alvo, caso isso aconteça, poderá estar a contrariar a tendência de partilha e do passa a palavra e provocar uma ruptura no processo.

O autor defende que nem todas as campanhas se tornam virais e muitas vezes não é possível prever quando isto acontece. Segundo Scott, é necessário criar várias campanhas, ver qual delas é bem sucedida e em seguida impulsionar as que tiverem melhores resultados. Só criando conteúdos, testando e conhecendo os nossos públicos-alvo é que poderemos melhorar e aproximarmo-nos cada vez mais do fenómeno que pretendemos atingir.

Se nunca viu a experiência Coca Cola Diet + Mentos, aproveite e veja aqui não só a experiência mas também o grande evento (em 2008) promovido pela Mentos em parceria com os autores deste fenómeno viral, Grobe e Voltz:





23 fevereiro 2012

Obrigada, Dra. Teresa Morais!


O intuito é, segundo a Secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, "apetrechar os magistrados para distinguir bem as situações e aplicarem mais rigorosamente a lei."

Obrigada, Dra. Teresa Morais, por esta medida. Apesar de achar que já devia ter sido tomada há muitos anos!

O espinafre e a estratégia de marketing chamada Popeye

"E o mundo seria de facto um sítio melhor se todos os hortícolas tivessem tido o apoio de uma estratégia de marketing como o espinafre teve com o Popeye!"

Foi Pedro Carvalho, nutricionista, que o escreveu e muito bem num artigo para o Life&Style do Jornal Público. Não podia concordar mais com esta afirmação. Realmente, e conforme salienta o autor neste artigo, a personagem bem conhecida da nossa infância conseguiu fazer com que o consumo dos Espinafres (nos EUA) "crescesse mais de 30% e que se tornasse no terceiro alimento mais popular entre as crianças logo depois do peru e dos gelados."

Pudéssemos nós criar outras tantas personagens como esta para enaltecer os benefícios de outros hortícolas e talvez um dos problemas de saúde mais registado na sociedade, a obesidade, viesse a diminuir. 

Estará no Popeye a resposta para uma alteração de hábitos alimentares da sociedade? Pode até não estar, mas ele já fez a sua parte. 



Aconselho também a leitura de outros artigos do nutricionista Pedro Carvalho pela excelente ligação que faz entre a origem histórica dos alimentos e os seus benefícios, nomeadamente:
"(...) não tendo a aveia uma mascote pomposa que faça as delícias das crianças ou uma actriz em excelente forma física a recomendá-la às colheres na televisão é natural que a sua popularidade não seja equivalente ao seu potencial nutricional." 

"Já no século XIX, muito antes de existirem tabelas de composição nutricional de alimentos, era célebre o ditado “an apple a day, keeps the doctor away”."

"A canela está intimamente ligada à nossa história, sendo o monopólio do lucrativo comércio desta especiaria (à época, a mais procurada na Europa) uma das razões para Portugal ter estado no centro do mundo durante o século XV."

22 fevereiro 2012

Forretas dão 1 cêntimo a 100 000 portugueses

O agregador de compras coletivas Forretas.com decidiu dar que falar e ofereceu aleatoriamente 1 cêntimo a 100 000 portugueses. O que torna esta acção ainda mais criativa do que já parece ser é que os Forretas depositaram esse cêntimo directamente nas contas bancárias dos portugueses. Desta forma, foram capazes de surpreender o seu público-alvo onde eles menos esperavam e onde nunca imaginaram ter contacto com publicidade ou uma marca - na sua própria conta bancária. 

Esta acção já foi notícia em vários meios de comunicação social, blogues e alvo de muitos comentários nas redes sociais.
Por detrás desta excelente ideia de marketing de guerrilha está, obviamente, uma grande agência criativa - a Torke, que mais uma vez conseguiu proporcionar ao seu cliente (Forretas.com) uma grande acção de marketing, neste caso com custos bem reduzidos (1000€) e resultados surpreendentes.

Conforme se pode ler na notícia da Marketeer, que cita Gonçalo Poças, responsável de marketing do site, “o Forretas.com, investindo apenas mil euros, passou a sua filosofia aos portugueses” de que “com pouco, consegue-se muito”.

Veja o vídeo da campanha:


21 fevereiro 2012

A opinião dos especialistas em comunicação sobre o caso Lusa/Domingos Paciência

Sobre o caso da difamação a Domingos Paciência por parte de uma fonte anónima em declarações à agência Lusa li dois artigos extremamente interessantes. 

Rui Calafate, no seu blog It's PR Stupid (e posteriormente no site da revista Briefing), defende que se tratou de uma manobra suja de spin doctors, que não se limitaram a mais do que congeminar "uma manobra para Godinho Lopes sair melhor na fotografia."

Já Alda Telles, no seu blog Lugares Comuns,  em resposta ao artigo de Rui Calafate, diz que não se trata de mentir ou congeminar algo, porque os spin doctors "não mentem, trabalham a informação 'de forma criativa', com o objectivo de favorecer uma determinada interpretação dos factos. "
Dois artigos bastante interessantes e que merecem ser lidos. Aqui fica a dica.

17 fevereiro 2012

Social media "Meat and Seat" by KLM

David Meerman Scott, reconhecido opinion leader na área do webmarketing, publicou hoje no seu blog um artigo sobre a iniciativa Meat and Seat da companhia aérea KLM.

Este novo serviço online da KLM permite que os passageiros descubram facilmente outros passageiros que irão viajar no mesmo voo e contactá-los através do contacto (Facebook ou LinkedIn) que disponibilizaram na plataforma online criada para o efeito.

Conforme refere a KLM,   
"KLM’s Meet & Seat lets you find out about interesting people who will be on board your KLM flight such as other passengers attending the same event as you at your destination."

 O passageiro pode ainda alterar o seu lugar para outro junto de um passageiro com interesses comuns.  
"The seat map will show you other passengers’ profile details and which seat they have chosen. You can select your seat – for example next to someone with similar interests."

No entanto, o passageiro pode também optar por não revelar a sua identidade e não permitir ser "encontrado" através deste serviço. 

Esta é realmente uma iniciativa inovadora que promete aproximar ainda mais comunidades online e promover a comunicação interpessoal. Como diz David Scott, poderá ser também uma forma de aproximar empresários dos seus clientes: "Imagine being seated next to your next customer or business partner (or even your future spouse) as a result of the social matchmaking."


 

15 fevereiro 2012

Advertising

Um spot publicitário capaz de provocar várias emoções! Está fantástico!




14 fevereiro 2012

Um país de qualidade?

Jornal de Notícias (14 Fevereiro 2012):
«Triplo homicídio de Beja terá ocorrido há uma semana

O homem suspeito de ter matado a mulher, filha e neta, em Beja, terá cometido os crimes há uma semana, segundo as autoridades policiais. O suspeito também matou os animais que tinha em casa.

Os crimes terão sido cometidos "na terça-feira à noite" da semana passada, afirmou a fonte, relatando que o alegado autor do triplo homicídio também "matou todos os animais" domésticos que tinha em casa, nomeadamente "um gato".  » (ver notícia completa aqui)


Confesso, estou extremamente chocada com a crueldade desta notícia.
Os portugueses estão a mudar. Infelizmente, não parece ser para melhor.
As cada vez maiores assimetrias sociais reflectem-se todos os dias no comportamento dos portugueses. O próprio Ministério da Administração Interna reconheceu, em 2011, um grande aumento da criminalidade e a necessidade de implementação de medidas rápidas.
Os jornais retratam-nos todos os dias o estado da sociedade. Demasiado realista, por vezes. Mas não deixa de ser verdade.
Talvez os portugueses precisem de uma mudança de mentalidades. Abrir horizontes, contrariar a crise, enfrentar o futuro e acreditar que temos qualidade.
Não é à toa que Portugal é frequentemente congratulado com vários prémios e reconhecimentos internacionais em diversas áreas como a Educação, Música, na Banca, na Enologia, em Jornalismo, Arquitectura, entre outras.
O material é bom, só falta explorá-lo.

13 fevereiro 2012

Renova On The Go


A Renova tentou chegar mais perto dos seus consumidores com a criação da Renova On-The-Go, uma espécie de loja virtual em que os consumidores podem comprar o produto usando a tecnologia QR Code nos seus smartphones.

Problema: a ideia não é original e, na minha opinião, não foi bem reproduzida.
Inicialmente esta ideia foi usada no mercado coreano, que como se percebe facilmente, tem características completamente diferentes dos consumidores portugueses. Além disso, o produto não era apenas um (como no caso da Renova), mas sim variados produtos considerados bens de primeira necessidade. Vejamos o vídeo:


Em Portugal, apesar de actualmente milhares de portugueses já possuírem um Smartphone, a grande maioria não utiliza as aplicações que estes disponibilizam. Já para não falar do desconhecimento (quase total) que existe face ao QR Code...
Esta estratégia da Renova poderia ter tido sucesso num outro contexto, mas não neste. 
Ainda assim, conseguiram causar grande impacto com os vinis de grande dimensão e cores fortes que cobrem as paredes da estação de metro da Trindade (Porto) e na estação Marquês de Pombal (Lisboa). 


11 fevereiro 2012

Comunicação em 2020

Ontem assisti a uma conferência promovida pela AEP (Associação Empresarial de Portugal), "A Comunicação em 2020", com Sara Batalha da MTW Portugal e Mal Fletcher, um comentador e futurista social australiano.
Sara Batalha mostrou-nos que o país anda a falar demais e a comunicar de menos. Como disse, "todos falam, mas poucos comunicam". Em poucas palavras desconstruiu a forma como as empresas e os empresários andam a comunicar e afirma que "andamos a comunicar ao contrário". A ex-jornalista do Expresso e da RTP, diz que o que os portugueses precisam mesmo é aprender a comunicar, desconstruir a mensagem e dar às pessoas o que elas querem ouvir.

Já Mal Fletcher, grande especialista em liderança e tendências da Comunicação, considera que a cada vez maior dependência nos aparelhos digitais pode levar à "demência digital". E é por isso que a geração a que o autor chama "millenials" (milenares - a geração do novo milénio) evidencia um declínio das funções mental e social. Segundo o próprio, é preciso haver uma cultura de colaboração, confiança e contacto interpessoal nas empresas e devemos aprender a desligar-nos das novas tecnologias quando assim for necessário. 

Mais informações sobre a MTW Portugal: http://www.mtwportugal.com
Sobre Sara Batalha: www.sarabatalha.blogspot.com
Projecto de Mal Fletcher - 2020plus: www.2020plus.net

09 fevereiro 2012

Querer-fazer


Consome-me o desejo de fazer algo que agrade o mundo. A sociedade. Os meus amigos. Talvez àquela pessoa. Não sei. 
É um desejo que aceito com serenidade.

Quero fazer. Mas não sei o quê. 
Perco tempo a pensar nisto. Bastante até. Mas depois o tempo é consumido pela vontade de fazer tudo o que urge agora! Não quero deixar passar em vão. 
Ainda é cedo. Eu sei.

Personagem desconhecida




 
Era fim de tarde. O pretexto do lanche levou à conversa desenfreada. Estávamos num momento descontraído, entre amigas. Aproximou-se alguém. Era desconhecido mas nada acanhado. Queria um cigarro, mas não tínhamos. Ao contrário do que estávamos à espera não desistiu, continuou a insistir.
A aparência não o favoreceu e a conversa não fluíu da melhor maneira. Ele estava a interromper o nosso momento e nós não gostámos. Estava alcoolizado e, aparentemente, drogado. As roupas escuras e estragadas e as palavras atropeladas acentuavam o seu mau aspecto.
A certa altura o mote já não era o cigarro. Queria saber o que estudávamos. Já fazia perguntas indiscretas. Fartas, dissemos que saísse dali. Talvez de forma algo arrogante.
Ele prontamente respondeu com a frase em que tenho vindo a reflectir desde esse momento: "Não interessa o que pensam, interessa o que aparentam. E vocês são bonitas e aparentam simpatia."
Ficámos impávidas. Ao mesmo tempo que percebíamos o que nos tentava dizer, apercebemo-nos da lição que nos estava a dar. Na verdade, ele tinha razão. Se ele próprio não tivesse aquele aspecto, nós não teríamos sido arrogantes, até porque, sendo racional, percebemos que nada do que nos disse era mais do que inoportuno. Não foi mal educado, simplesmente inoportuno. Mas como ele próprio dissera, a aparência falou por ele.
Os amigos acabaram por vir buscá-lo.
Infelizmente, e apesar de nos ter feito pensar no que disse, continuo a não conseguir augurar um bom futuro para este rapaz. Talvez um dia me surpreenda.


08 fevereiro 2012

Retalhos

Cheguei a escrever um livro sobre a minha vida. Como tantos outros que há por aí. 
Talvez a inocência da juventude não me fizesse perceber que, na verdade, não o queria fazer. Não queria a minha vida nas bocas do mundo. Pelo menos não daquela maneira. 
O tutor leu e releu. Disse que estava profundo e se calhar demasiado realista. O título era casual, nada de especial. Surgira naquela altura, tenra idade, e esse mesmo ficou. "Retalhos de uma tenra vida", sugeriu o tutor. E tinha razão, não eram mais do que isso. 

Estórias demasiado verdadeiras para serem contadas. Vivências, sentimentos e recordações que queria deixar para trás, mas não conseguia. E não consigo. 
Guardo-o com carinho. Persiste aqui, no seu canto, como um diário. Talvez um dia volte a pegar nele, não para o publicar, mas para o reler. Não desejo reviver o passado, mas não o posso esquecer. Se assim é, que sirva para evoluir. 
Um dia vou poder dizer: tudo isto teve uma razão. 


Diário de Bordo 4: Discursos irónicos

10º ano, estão entre os 15/16 anos. Não se importam com o que os outros pensam. Falam sem rodeios. Nem sempre ouvem o que lhes dizemos, mas gostam de ripostar. A ironia é, na maior parte das vezes, presença constante nos seus discursos.
A vontade de se exibirem perante os colegas faz com que as suas intervenções sejam mais jocosas do que oportunas. Ainda assim e, apesar da pouca vontade que têm de aprender o que temos para ensinar, ouvem. Se calhar apenas ouvem, não escutam. É uma pena.
Os temas que escolhem para as actividades mostram as suas crenças, hábitos e talvez um pouco de personalidade. Alguns nem escrevem. A preguiça é o mal maior. 
Percebemos que o que mais os motiva quando são desafiados a escrever é o facto de poderem dar asas à criatividade. Inventar. Gozar. Ridicularizar.
São fases. Também por lá passei. 


07 fevereiro 2012

Diário de Bordo 3: Recordações felizes



No outro dia tivemos uma presença especial para um público especial. A vontade de os agradar falou mais alto e o momento concretizou-se. 
Ela foi pedir-lhe um favor: "Faz com que estas crianças nunca mais esqueçam este momento. Torna-o único." E ele veio. O bom humor característico não faltou. 

Não o conhecia. Mas adorei a forma como eternizou o momento para aquelas crianças. 
O relato de futebol fez brilhar os olhos. Ficaram em êxtase. No edifício, ouvia-se o "goloooo" prolongado e tão característico deste jornalista, que neste dia viu reconhecido o seu mérito na atribuição do prémio "Melhor relato internacional de 2011". 

Não conseguimos parar. Quisemos continuar a ver aqueles sorrisos rasgados. Pedimos mais e mais. 
Ele continuou, com vontade também de os surpreender mais uma vez. 
José Cid foi o mote para a risada. A imitação foi óptima. 

No mundo diferente daquelas crianças já valeu a pena ter saído à rua. Sentiam-se realizados e, acredito eu, felizes. Tivemos o prazer de ser a companhia por mais umas horas e mostrar-lhes o que tínhamos para ensinar. Eles ouviam atentamente. 

São muito curiosos. Fazem perguntas, querem saber tudo. Não têm medo das respostas e enfrentam-nas de forma humilde. 
No final mostram a sua gratidão novamente com os sorrisos rasgados. E eu fico feliz. 


Diário de Bordo 2: Aprender com os mais novos?

Hoje a plateia foi diferente. Pessoas mais velhas, com outros conhecimentos. Os comportamentos diferem. Uns são mais recatados, outros muito alegres com a fase da vida que estão a viver. Agradecem os cuidados, os passeios, os lanches e até as conversas de conveniência.

Atentam no que digo. Alguns acham curioso o que vou dizendo, enquanto outros apenas apreciam o ambiente e as caras desconhecidas que os rodeiam. 
São tímidos nas respostas. Sinto que, mais do que as crianças, têm medo de errar. Não percebo porquê. Na verdade, ali são eles os que mais têm para ensinar. Não eu.

Às vezes gostaria de ter a oportunidade de ficar ali a ouvir as estórias que têm para contar. São imensas, tenho a certeza. 
Orgulham-se de toda a "genica" que ainda trazem em si e exibem as suas qualidades. "Já escrevi mais de 1000 poemas desde que estou neste Centro, menina!", "Comecei a pintar desde que me levaram para esta instituição e agora até já vendo algumas obras em feiras de artesanato", "O nosso Coro faz, e já fez, muitas actuações pelo país", "Menina, sabia que estamos a preparar uma peça de teatro para o Natal?"...contam, felizes. 

O resultado final agrada-os. Ficam contentes, e eu, muito orgulhosa. Quero que levem dali mais do que uma recordação, um momento de convívio e alguma aprendizagem. 
Quem me dera que um dia seja eu daquele lado, a aprender com os mais novos e a gracejar os momentos felizes que ainda me entretêm. Porque cada momento é único e é preciso vivê-lo intensamente. 





06 fevereiro 2012

Diário de Bordo 1: Idades (in)compreendidas

Desde que abracei este novo projecto profissional, há 6 meses, que tenho aprendido e entendido as diferenças de personalidade e educação dos jovens que por lá passam. São impressionantes as diferenças que se notam entre estes jovens oriundos de todos os tipos de instituições, idades e contextos sociais. 

Não há um padrão. Não posso afirmar que os que vêm de colégios privados são melhores ou piores que os estudantes de instituições públicas. Assim como não posso afirmar que os mais novos são mais ou menos bem comportados que os mais velhos. Sinceramente, o que nos parece é que tudo depende da influência dos pares e da envolvente social. Indubitavelmente. Sim, acho que isso podemos afirmar.

O mês passado deparei-me com uma jovem de 7 anos que escrevia melhor que muitos estudantes universitários e, este mês, um jovem com 17 anos escreveu “nos lucais avituais”… O que será necessário fazer para que as diferenças entre estes jovens, muitas vezes incompreendidos, tenham uma resolução?